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Mulheres de Meia Idade

Pode parecer uma autoconsolação,  porém, todas as mulheres “cinquentonas “ que conheço estão muito bem, obrigada.

 

Alegres, autossuficientes, bonitas, sensuais, na maior parte das vezes, dão de dez a zero em muita garotinha de vinte e poucos anos. Sabem e fazem o que querem. E sabem muito bem querer tudo a que têm direito.

 

Foi-se o tempo, graças a Deus, em que uma mulher de trinta anos era uma recatada senhora; uma de quarenta, uma matrona e uma de cinquenta uma decrépita vovozinha.

 

Agora, bem no meio da meia idade, a mulher dispõe de uma infinidade de recursos internos e externos para encontrar sua melhor performance.

 

Cuidados com o corpo, ginástica, alimentação, antioxidantes e vitaminas, cirurgias plásticas, lipoaspiração, cremes maravilhosos e controle alimentar, podem garantir  a permanência de um corpo saudável e esteticamente em forma.

 

De outra parte, não se pode negar que a sociedade ocidental evoluiu rapidamente, no sentido de absorver as árduas conquistas da mulher, garantindo-lhe, atualmente, um espaço jamais outrora imaginado.

 

Que bom poder vê-la, nos dias de hoje, saindo sozinha, enfrentando a vida com seus próprios recursos, frequentando bares e cinemas, participando ativamente de seu meio...

 

E, embora ainda sofra, vez por outra, aqui e ali, algum resquício de preconceito, é, de qualquer modo, maravilhoso saber que a mulher conseguiu ampliar seus horizontes e que o tempo pode  passar, sem que isso possa significar, para ela, uma condenação.

 

É inegável que, com o avançar dos anos, muitas transformações orgânicas ocorrem e se fazem sentir como verdadeira limitação: o corpo já não é tão ágil nem tão esguio, a memória e a paciência nem sempre respondem como gostaríamos, mas os ganhos são também muitos e variados.

 

Aprendemos a ver a floresta, sem nos determos exclusivamente na árvore, evoluímos emocionalmente, ficamos mais seletivas e conscientes em nossas escolhas, aproveitamos melhor cada minuto da vida.

 

Também não posso negar que, vez por outra, somos atacadas por um sentimentozinho de tristeza pela perda da tão valorizada juventude... São momentos em que brigamos com nosso corpo; com nossos fios de cabelo branco que, insistentemente, querem aparecer; nossos pés de galinhas; gordurinhas salientes; com a lei da gravidade...

 

Mas e quando éramos adolescentes? Também rejeitávamos os seios que insistiam em brotar, as espinhas que apareciam sempre que tínhamos uma festa, o jeito desengonçado e o rubor inesperado que não conseguíamos ocultar quando mais queríamos...

 

Quando adultas, muitas dessas dificuldades desapareceram, mas nossa presteza de gestos e movimentos, nossos corpos esbeltos e bem feitos, nem sempre sabiam desfrutar da verdadeira profundidade e sabedoria do significado de cada nova experiência.

 

Vivendo e aprendendo.

 

Hoje, percebo que a vida é um longo processo em que nos aprimoramos, dia após dia. Com toda a certeza, apesar de meu corpo já não ser a maravilha de quando eu tinha vinte e poucos anos, hoje sou uma pessoa muito melhor.

 

Uma mulher não é apenas um corpo.

 

Não quero fazer apologia ao feio, mas a beleza é muito mais do que formas perfeitas ou um rostinho bonito.

 

É por isso que eu acho as mulheres maduras o máximo. Ainda cuidam de sua beleza exterior e, na maior parte das vezes, são extremamente enriquecidas pelas vivências que acumularam ao longo da vida. Isso é o que eu chamo de beleza inteira, consolidada, por dentro e por fora...

 

É claro que há também as feias de meia idade... Aquelas que não mais se cuidam e só se lamentam... São pessoas amargas, insuportáveis...Mas, isso há em todas as idades.

 

Eu, particularmente, acho que ganhei muito com o passar dos anos. Sinto-me, hoje, muito mais segura, muito mais mulher. E sei que esse meu sentir foi construído aos poucos, passo a passo, através do constante contato com minha feminilidade, nos diversos papéis que exerci em minha vida, coisa que não se adquire, de uma hora para outra, mas se conquista.

 

Assim como eu, conheço várias mulheres que foram se aprimorando, através das vivências; de verdes, passaram a maduras, ou seja, estão no ponto, no apogeu de seu poder feminino, prontas para enfrentar  o que lhes vier pela frente.

 

Não são mais meninhas superficiais. Não são mais mulheres inexperientes. São mulheres forjadas pela vida, enriquecidas por suas venturas e desventuras,

aprimoradas, prontas, maduras, enfim.

 

Talvez por isso seja tão impróprio chamá-las de “mulheres de meia idade”. 

Melhor seria dizer delas : mulheres de idade inteira.  De "inteiridade". Ou de plena identidade...

(Escrito em São Paulo, aos 27 de janeiro de 2001)

 

 

 

 

                                                               



Escrito por Izilda às 15h45
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Tulipas

 

Era um vasinho pequeno, elegante, original.

Nele, duas tulipas lilases, muito fechadas.

Em menos de meia hora, começaram a desabrochar.

No dia seguinte, fiquei extasiada: estavam no esplendor de sua formosura!

Adentraram, porém, o terceiro dia de existência com os primeiros sinais de debilidade e, aos pouquinhos, foram murchando, murchando...até fenecerem por completo.

Duraram pouco, é verdade, mas enfeitaram tanto a minha vida!

Aprendi com as tulipas que o que realmente importa não é o tempo de duração das coisas, dos acontecimentos, das pessoas, mas a beleza, o perfume e a delicadeza que oferecem, enquanto estão vivos em todo seu apogeu.

Como aconteceu com elas, tudo se vai, a seu tempo.

Apenas a lembrança fica.

E essa ninguém rouba de nós...

 



Escrito por Izilda às 04h37
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