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Escritos esparsos...



Tempos antigos

A conversa, naquele dia, tinha um tom grave e solene, até então completamente desconhecido para mim.

Menina de tudo, e sem qualquer conhecimento sobre as transformações da puberdade, ouvia, sem entender direito, um sem fim de conselhos e veladas ameaças sobre um futuro incerto e tenebroso que, a partir dali, me aguardava.

O susto levado com o primeiro sangramento menstrual havia sido enorme.

Inicialmente, pensei que tivesse me machucado. E deveria ser sério. Corri a mostrar aquilo para minha mãe e avó, esperando o colo e o curativo, de sempre.

Mas logo percebi que alguma coisa terrível havia me acontecido.

Nada poderia ser pior. 

Num piscar de olhos e sem qualquer aviso prévio, havia perdido de vez a condição de criança alegre e despreocupada para me transformar, instantaneamente, em mulher, com todo o peso e tormento que a palavra carregava, naquela ocasião.

Foi então que, naquela tarde,  eu, uma criança de onze anos, ouvi que, a qualquer momento, poderia gerar outra criança.

Como? Não me disseram. Mas as perspectivas eram as piores...

As mulheres que eu amava e que cuidavam de mim, mãe e avó, trancadas naquele quarto para que ninguém pudesse nos ouvir, afirmavam e reafirmavam, com grande preocupação, que, a partir de agora, eu deveria me resguardar e, para tanto, mudar o jeito de me vestir, de me sentar, de me comportar em público.

Agora, que me tornara "mocinha", todo cuidado era pouco, pois qualquer passo em falso seria fatal para minha honra. E eu que nem sabia, até aquele momento, que tinha honra...

Apresentaram-me, então, a umas toalhinhas estranhas que eu deveria usar para aparar o sangramento que, segundo elas, de agora em diante, nunca mais cessaria até eu me tornar velha.

Via-me já inundada em sangue, escondendo-me de todos, verdadeiramente incomodada por aquela maldição.

Explicaram-me ainda que, durante o tal "incômodo", eu não poderia tomar gelado, apanhar friagem e jamais - repetiam, jamais lavar a cabeça, sob pena de ficar completamente louca.

E minha avó, depois de desfiar um sem número de "causos" de mocinhas perturbadas e de outras tantas que, por não saberem "se cuidar", ficaram grávidas e desgraçadas, concluiu com esta pérola:

"- A castidade é como um copo do mais fino cristal. Depois que se quebra, nunca mais se conserta."

Aquilo não fazia nenhum sentido para mim, mas foi de grande efeito. Nunca me esqueci dessa imagem e sinto, até hoje, um frio na barriga, ao pensar numa linda taça de cristal, espatifando-se no chão. 

Só faltou uma coisa: a coragem de explicar, para aquela menininha assustada e tão casta, o que era castidade... 



Escrito por Izilda às 17h46
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Viagem

Mais uma vez o barco atravessava águas muito turbulentas.

Havia medo estampado no rosto da maioria dos tripulantes. Desespero até...

Um deles, porém, conseguia se manter sereno e seguro.

Não desconhecia o perigo, mas recordava-se de outros momentos difíces pelos quais havia passado e acreditava na superação de mais aquela tormenta.

Estava certo de que isso era possível. Não se sentia sozinho. O navio era pleno de recursos e comandado por quem o sabia conduzir.

Por isso, naquele momento, apenas confiava...



Escrito por Izilda às 09h04
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Piquenique

Não era um simples piquenique.

Era experimentar uma nova aventura. Era ter a atenção exclusiva da mãe e da avó, naquele dia. Era poder brincar no parque com outras crianças. Era comer ao ar livre, de um jeito diferente. Era ter o que contar para a professora, no primeiro dia de aula...

Seus olhos brilhavam desde o momento em que o passeio fora confirmado.

Com suas mãozinhas pequenas, fez questão de ajudar a preparar o lanche e de carregar a sacolinha com os pratinhos e copos descartáveis.

Ao chegar, desembestou. Corria, saltava, girava, cantava e sorria. Sorria inteira.

Vendo aquela menina transbordar de alegria, também eu comecei a sorrir.

Acabava de aprender com ela o que era a felicidade absoluta...



Escrito por Izilda às 15h43
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