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Escritos esparsos...



MUDANÇA DE ENDEREÇO

 


 

 

 

Meus queridos,

A partir de hoje, este blog muda de endereço:


http://izilda-bichara.blogspot.com/


Sou meio indisciplinada, é verdade, mas estou cheia de boas intenções, na casa nova!

Aguardo a visita de todos.

Um grande beijo, 

Izilda

 

 

 



 



Escrito por Izilda às 16h44
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NESTE ANO...

Quero ser mais disciplinada, quero cuidar mais de mim, quero ir em busca dos meus sonhos;
Quero não me esquecer de quem sou, do que sinto e de quem desejo ser;
Quero ser feliz, bela e amada e quero amar muito também; 
Quero estar sempre rodeada de gente querida, nem que seja só em pensamento e coração;
Quero não me sentir solitária, nem falando sozinha, quero me divertir;
Quero ter saúde e disposição física e emocional;
Quero rir muito, sorrir muito, gargalhar, cantar, dançar;

Quero viajar... viajar muito, conhecer novos lugares e rever os que já conheço;
Quero ter paciência e tolerância com quem não aprende e quero aprender a esperar;

Quero ter a sabedoria de fazer as escolhas certas e a humildade de admitir que errei ou que não sei;
Quero ajudar as pessoas sempre que possível e aceitar ser ajudada sempre que precisar;
Quero estar sintonizada com meu coração e ser mais desapegada;
Quero aprender a perder, quero aprender a ganhar, aprender a agradecer e a parar de reclamar;
Quero aprender sempre mais, quero descobrir e fazer coisas em conjunto;
Quero me lembrar sempre das coisas que me aconchegam a alma e esquecer completamente das que um dia me machucaram;
Quero caminhar atentamente pela vida e não me perder daquilo que realmente é importante;
Quero me encontrar no olhar de quem me olha e sorrir inteira para quem me sorri;
Quero gastar meu tempo descansando numa rede ou trabalhando intensamente nas coisas que me dão prazer;

Quero continuar a ser criança, sendo cada vez mais sábia;

Quero correr atrás de borboletas, sentir o perfume das flores e acreditar em fadas;
Quero contar e ouvir histórias, brincar de roda e sair de mãos dadas com quem quiser brincar;

Quero ter óculos cor de rosa para enxergar a vida mais bonita e acreditar que é possível mudar;
Quero tomar banho de chuva e me secar ao sol;
Quero caminhar sem rumo, quero caminhar com rumo, quero chegar; 
Quero me lembrar sempre que as tempestades vêm e passam; 
Quero não me esquecer nunca de que quando sinto frio na alma, posso me aquecer com minha colcha de lembranças; 
Quero evitar tropeços nas pedras do caminho mas, se me esborrachar, quero poder chorar até me sentir melhor; 
Quero ser forte o suficiente para aceitar minhas fragilidades; 
Quero ser firme em minhas interações, usando a delicadeza como moeda; 
Quero ser cautelosa em minha ousadia e impetuosa na timidez; 
Quero me despojar de preconceitos e ser capaz de experimentar o novo; 
Quero me doar inteiramente, por amor, sem nunca, entretanto, me perder de mim;
Quero me lembrar sempre que nem tudo tem o tamanho e a importância que aparenta;

Quero não me esquecer do quanto sou importante, nem de que sou apenas mera poeira cósmica; 
Quero trilhar um caminho de beleza e honradez, lembrando sempre que carrego marcas de meus ancestrais, que seguirão em meus descendentes; 
Quero ter uma infinidade de amigos e ser a melhor amiga de cada um deles;
Quero praticar o perdão e a compaixão e me sentir, a cada dia, uma pessoa melhor;

Quero ter o coração ocupado apenas pelo amor e descartar qualquer tentativa de invasão por mágoas, rancores, ciúmes ou bobagens de qualquer natureza; 
Quero levar a vida a sério, me divertindo muito e vivendo intensamente cada segundo; 
Quero ter consciência de que cabe a mim, somente a mim, promover a minha própria felicidade; 
Quero esbanjar amor, beijos, abraços e sorrisos... 

E quero não precisar querer nada e me deixar ser simplesmente feliz!

 



Escrito por Izilda às 10h39
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ANO NOVO

Chegou 2010 e tudo continua igual.

Inclusive a esperança de que, a partir de agora, tudo seja diferente...



Escrito por Izilda às 00h48
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Recomeços

 

Todos os recomeços são difíceis. 

A gente sabe que não tem jeito.

Não se pode mais ficar onde estava e é preciso seguir. 

Mas por onde? Para onde? Como? 

O primeiro passo é sempre o mais difícil, pois depende de uma coragem desafiadora. 

É preciso vencer tanto medo para romper a inércia e enfrentar o desconhecido!

No entanto, chega uma hora em que não é mais possível adiar nada. Ou, então, a vida nos atropela mais adiante. 

É. A vida segue sem parar e não há quem impeça que o sol se ponha.

A noite sempre vem.

Mas também a escuridão tem seu tempo de permanência para dar lugar ao amanhecer...

E, independentemente de nossas vontades, um novo dia, claro ou cinzento, sempre surge para os que permanecem no jogo.

Assim é.

Sei que falo o óbvio. Mas o óbvio também é para ser falado...

Saio de uma longa noite de inércia. 

Tenho urgência em escrever. 

Não sei bem o quê, nem como, nem para quê.

Sigo apenas uma forte determinação que me leva a despejar palavras, desordenadamente, ou não, na busca de registrar minha passagem pelo mundo.

Sempre fiz isso...Apenas me encontrava engasgada com alguma consoante esdrúxula...ou embriagada demais com o néctar das flores...

Mas agora recomeço.

Um, dois, três... Pronto! 

O primeiro passo está dado...

 



Escrito por Izilda às 11h19
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Flor e espinhos...

 

E, de repente,  a ausência se fez mais presente e as certezas cavoucaram as dúvidas e a tristeza destronou a felicidade.

E ela chorou.

E sua dor era cinzenta e era amarga e era espinhosa...

cegava-lhe os olhos e cortava-lhe as carnes e dissipava-lhe a esperança.

E, no entanto, longínqua e sinuosa, persistia ainda nela estranha e doce música.

E o som tateava-lhe o escuro e penetrava-lhe o coração.

E foi, então, que a mulher tão só olhou para si mesma,

E percebeu que não poderia haver solidão assim povoada de tão divinos acordes.

E era um som de tanta largueza de azuis transparentes; de tantos sentimentos sutis e profundos; de tanta luz!

E ela emergiu em sorrisos,

E afloraram doces lembranças de sonho e de gozo e de saudade e de brincadeiras e de ternura e de lágrimas e de risos... e de vida, enfim!

E foi assim que a mulher se fez de novo e desabrochou num amor maior e único, como nenhum e como todos.

E ela viu que aquele amor era tanto, que, mesmo condenado, apontava para a eternidade.

E ela soube, em definitivo,  que aquele amor lhe bastava.

E a mulher, então, apostou na flor; ainda que soubesse de todos os espinhos...   

 


 



Escrito por Izilda às 23h49
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Caminhos escolhidos

Ser feliz exige coragem . E exige liberdade.

Mais do que isso. 

É preciso ter a coragem de exercer a liberdade que se pensa não se ter.

Ser feliz requer ousadia.

Não é possivel ser feliz quando não se ousa sê-lo.

Ser feliz também tem um preço. 

Como se permitir ser feliz sem abrir mão de velhos padrões que aprisionam e limitam? Só o desapego permite o movimento.

Porém, quando se escolhe ser feliz, a felicidade em si não tem preço.

Caminhar em sua direção, com a coragem, a ousadia e o despreendimento necessários, revela, a cada passo, momentos únicos, inesquecíveis, plenos da mais genuína felicidade.

É  então que se percebe que ali, bem na beira do caminho, há sempre muito mais do que se buscava...

Nesse momento,  já não importa para onde se está indo, nem para onde se pretendia ir.

Caminha-se, apenas.

E não há felicidade maior do que a de ter se permitido tentar...



Escrito por Izilda às 23h33
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Piu piu

Só quem vive o pesadelo de ser vizinho de um mega empreendimento imobiliário, em  plena construção, sabe o que é acordar, todos os dias, com uma orquestra de instrumentos dissonantes terraplenageando, martelando, zumbindo, serrando, bate-estacando, gritando, improperiando, sem parar.

Uma tristeza infinita, feita de sons enlouquecidos e apressados!

E eu, no esplendor de minha impotência, apenas vou desfiando o meu lamento matinal.

Cadê os passarinhos?



Escrito por Izilda às 09h47
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Reinando...

A última princesinha acaba de deixar o castelo e a rainha deve redobrar os seus esforços para reinar absoluta.

Perder a majestade, jamais!

Quem sabe não é hora de reformular a rotina do palácio, sair mais às ruas, adentrar cômodos secretos, descobrir, enfim, outras maneiras de conduzir seu reino?

Embora um tantinho amedrontada, a rainha está cheia de boas intenções.

E acredita firmemente na felicidade...



Escrito por Izilda às 22h28
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Arco-íris

 

Não conseguia entender como tudo havia mudado tanto, em tão pouco tempo.

Em alguns momentos, sentia até um ligeiro estranhamento.  E se questionava, maravilhada, se aquilo não passava de um sonho.

O que faz um acontecimento ou alguém se tornar tão importante, em meio à avalanche da rotina e da mesmice?

Por que alguns eventos e pessoas passam pela vida sem deixar marcas significativas, enquanto outros, ao contrário, são capazes de transformar, completamente, roteiros já traçados, padrões estabelecidos e até decisões tidas por irrevogáveis?

Estava longe de conseguir responder.

Mas agora confiava.

Havia mesmo um pote de ouro no fim do arco-íris.

E tudo o que sabia era que já não podia mais imaginar sua vida sem a luz e sem o brilho daquelas cores.



Escrito por Izilda às 01h47
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Canjica

 

Ao ouvir aquele alô ao telefone, já pude perceber sua alegria.

A razão era singela, como o são, na essência, todas as grandes felicidades.

Fizera canjica!

E me contava, generosamente, todos os detalhes; de como havia ficado uma delícia, de como seu marido havia gostado; de como, enfim, já se virava tão bem na cozinha, a ponto de preparar até canjica, como se isso fosse a coisa mais difícil do mundo!

Seu entusiasmo me contagiou.

Perguntei-lhe se havia acrescentado canela e leite de coco à receita, como fazia minha avó, quando eu era criança.

Ela me respondeu que canela, sim,  mas que nem sabia que poderia levar leite de coco.

E  acrescentou, confiante,  que, da próxima vez, iria experimentar essa nova versão.

Desligamos amorosamente, como sempre.

Minha filha toda feliz, do lado de lá, e eu, sozinha e cheia de saudade, de mim e de todos, do lado de cá.

Foi então que me dei conta de que, para acalentar meu coração, eu não precisava mais do que um prato de canjica...



Escrito por Izilda às 17h47
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Mulheres de Meia Idade

Pode parecer uma autoconsolação,  porém, todas as mulheres “cinquentonas “ que conheço estão muito bem, obrigada.

 

Alegres, autossuficientes, bonitas, sensuais, na maior parte das vezes, dão de dez a zero em muita garotinha de vinte e poucos anos. Sabem e fazem o que querem. E sabem muito bem querer tudo a que têm direito.

 

Foi-se o tempo, graças a Deus, em que uma mulher de trinta anos era uma recatada senhora; uma de quarenta, uma matrona e uma de cinquenta uma decrépita vovozinha.

 

Agora, bem no meio da meia idade, a mulher dispõe de uma infinidade de recursos internos e externos para encontrar sua melhor performance.

 

Cuidados com o corpo, ginástica, alimentação, antioxidantes e vitaminas, cirurgias plásticas, lipoaspiração, cremes maravilhosos e controle alimentar, podem garantir  a permanência de um corpo saudável e esteticamente em forma.

 

De outra parte, não se pode negar que a sociedade ocidental evoluiu rapidamente, no sentido de absorver as árduas conquistas da mulher, garantindo-lhe, atualmente, um espaço jamais outrora imaginado.

 

Que bom poder vê-la, nos dias de hoje, saindo sozinha, enfrentando a vida com seus próprios recursos, frequentando bares e cinemas, participando ativamente de seu meio...

 

E, embora ainda sofra, vez por outra, aqui e ali, algum resquício de preconceito, é, de qualquer modo, maravilhoso saber que a mulher conseguiu ampliar seus horizontes e que o tempo pode  passar, sem que isso possa significar, para ela, uma condenação.

 

É inegável que, com o avançar dos anos, muitas transformações orgânicas ocorrem e se fazem sentir como verdadeira limitação: o corpo já não é tão ágil nem tão esguio, a memória e a paciência nem sempre respondem como gostaríamos, mas os ganhos são também muitos e variados.

 

Aprendemos a ver a floresta, sem nos determos exclusivamente na árvore, evoluímos emocionalmente, ficamos mais seletivas e conscientes em nossas escolhas, aproveitamos melhor cada minuto da vida.

 

Também não posso negar que, vez por outra, somos atacadas por um sentimentozinho de tristeza pela perda da tão valorizada juventude... São momentos em que brigamos com nosso corpo; com nossos fios de cabelo branco que, insistentemente, querem aparecer; nossos pés de galinhas; gordurinhas salientes; com a lei da gravidade...

 

Mas e quando éramos adolescentes? Também rejeitávamos os seios que insistiam em brotar, as espinhas que apareciam sempre que tínhamos uma festa, o jeito desengonçado e o rubor inesperado que não conseguíamos ocultar quando mais queríamos...

 

Quando adultas, muitas dessas dificuldades desapareceram, mas nossa presteza de gestos e movimentos, nossos corpos esbeltos e bem feitos, nem sempre sabiam desfrutar da verdadeira profundidade e sabedoria do significado de cada nova experiência.

 

Vivendo e aprendendo.

 

Hoje, percebo que a vida é um longo processo em que nos aprimoramos, dia após dia. Com toda a certeza, apesar de meu corpo já não ser a maravilha de quando eu tinha vinte e poucos anos, hoje sou uma pessoa muito melhor.

 

Uma mulher não é apenas um corpo.

 

Não quero fazer apologia ao feio, mas a beleza é muito mais do que formas perfeitas ou um rostinho bonito.

 

É por isso que eu acho as mulheres maduras o máximo. Ainda cuidam de sua beleza exterior e, na maior parte das vezes, são extremamente enriquecidas pelas vivências que acumularam ao longo da vida. Isso é o que eu chamo de beleza inteira, consolidada, por dentro e por fora...

 

É claro que há também as feias de meia idade... Aquelas que não mais se cuidam e só se lamentam... São pessoas amargas, insuportáveis...Mas, isso há em todas as idades.

 

Eu, particularmente, acho que ganhei muito com o passar dos anos. Sinto-me, hoje, muito mais segura, muito mais mulher. E sei que esse meu sentir foi construído aos poucos, passo a passo, através do constante contato com minha feminilidade, nos diversos papéis que exerci em minha vida, coisa que não se adquire, de uma hora para outra, mas se conquista.

 

Assim como eu, conheço várias mulheres que foram se aprimorando, através das vivências; de verdes, passaram a maduras, ou seja, estão no ponto, no apogeu de seu poder feminino, prontas para enfrentar  o que lhes vier pela frente.

 

Não são mais meninhas superficiais. Não são mais mulheres inexperientes. São mulheres forjadas pela vida, enriquecidas por suas venturas e desventuras,

aprimoradas, prontas, maduras, enfim.

 

Talvez por isso seja tão impróprio chamá-las de “mulheres de meia idade”. 

Melhor seria dizer delas : mulheres de idade inteira.  De "inteiridade". Ou de plena identidade...

(Escrito em São Paulo, aos 27 de janeiro de 2001)

 

 

 

 

                                                               



Escrito por Izilda às 15h45
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Tulipas

 

Era um vasinho pequeno, elegante, original.

Nele, duas tulipas lilases, muito fechadas.

Em menos de meia hora, começaram a desabrochar.

No dia seguinte, fiquei extasiada: estavam no esplendor de sua formosura!

Adentraram, porém, o terceiro dia de existência com os primeiros sinais de debilidade e, aos pouquinhos, foram murchando, murchando...até fenecerem por completo.

Duraram pouco, é verdade, mas enfeitaram tanto a minha vida!

Aprendi com as tulipas que o que realmente importa não é o tempo de duração das coisas, dos acontecimentos, das pessoas, mas a beleza, o perfume e a delicadeza que oferecem, enquanto estão vivos em todo seu apogeu.

Como aconteceu com elas, tudo se vai, a seu tempo.

Apenas a lembrança fica.

E essa ninguém rouba de nós...

 



Escrito por Izilda às 04h37
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Aromas da tarde...

Como livres borboletas,

Já dançavam em seus sonhos,

Em plena tarde de sol.

 

 

No entanto, eram crisálidas 

Escondidas no casulo.

 

 

 

E o dia apenas raiava...



Escrito por Izilda às 18h24
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FARTURA

 

Sentia que agora tudo lhe extrapolava com incomparável fartura.

 

Suas noites, ainda que insones, nunca mais tinham sido vazias de sonhos

 

Nem seu rosto desprovido de sorrisos... ou de lágrimas.

 

Trazia nos olhos a profundidade do desejo e da dúvida

 

E nos braços o calor intenso do abrigo ilimitado.

 

Também tinha medos exagerados,

 

E fantasias loucas, desmedidas.

 

Mas, o melhor de tudo é que, enfim, sentia-se viva.



Escrito por Izilda às 15h17
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Cumplicidade

Ponto por ponto,

Teciam a trama da cumplicidade.

E havia tanta entrega naquele mister,

Que, ainda que o manto não lhes cobrisse

Mais que os joelhos,

Já lhes aquecia a vida

Por inteiro...



Escrito por Izilda às 13h03
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Hoje...

(À moda de Leminski)

 

O futuro está no escuro.

Prefiro ser reluzente,

no presente!



Escrito por Izilda às 01h19
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Descobertas

Haveria abrigo mais aconchegante do que aquele? Remédio mais eficiente?

Serenava a alma, aliviava as dores, dissipava os medos.

Não sabia se gostava mais de oferecer ou receber.

Mas descobrira que era maravilhoso quando havia troca.

Nem precisava ser efusivo.

Podia, perfeitamente, ser silencioso, discreto.

Bastava ser verdadeiro.

Bastava ser um abraço...

 



Escrito por Izilda às 10h55
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Diferenças...

Eram completamente diferentes.

Tinham histórias de vida diferentes,

Origens diferentes,

Condições, referências,

Gostos e idades diferentes.

No entanto, se amavam...

E isso os fazia iguais.



Escrito por Izilda às 13h18
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Segredos

Ultimamente, não ousava mais escrever uma só linha.

Vontade não lhe faltava.

E idéias tinha de sobra.

Podia-se até dizer que vivia a estação da fartura.

De fato, tudo à sua volta borbulhava na excitação da novidade e na intensidade de seu envolvimento com a vida.

Estranhamente, porém, era-lhe impossível expressar qualquer palavra.

Perdida nesse labirinto fervilhante,  buscava guarida apenas  entre supostos segredos que escondia de si mesma.

Por isso mantinha-se muda.

Não podia se trair.



Escrito por Izilda às 12h47
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Colheita

As árvores avermelhadas contrastavam com o céu muito azul, repleto de nuvens de algodão.

Ela andava por aquelas ruas desconhecidas com a estranha segurança de quem sabe perfeitamente aonde quer chegar.

Seu olhar ocupava-se prazerosamente da cidade em movimento, naquela agradável tarde de outono. Eram tantos rostos desconhecidos, vozes, buzinas, aromas diversos, antigos edifícios!

A cada passo, a vida pulsava, trazendo-lhe uma doce sensação de encantamento e plenitude.

Estava em Roma. Sozinha...

Não tinha pressa, nem direção, nem compromissos, nem preocupações. Apenas andava.

Seus olhos nutriam-se da alegria de bastar-se, naquele momento. 

Era tempo de colheita...



Escrito por Izilda às 19h01
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Desejos

A maciez das pétalas e o perfume das rosas,

Um sonho azul de nuvens e arco-íris,

Sabores adocicados,

Frutas suculentas...

Pêssegos, melancia, uvas.

Abacaxi geladinho!

Seu doce... seu mel...

Coração pleno, sorriso fácil.

Aconchego instantâneo!

Música suave, poesia pura,

Pura poesia de corpos que se querem.

Olhos nos olhos,

Beijo na boca,

Corações ajustados

E paz.

É pedir demais?



Escrito por Izilda às 23h04
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A pessoa certa

Passara a vida inteira esperando pela pessoa certa.

Descobriu, enfim, que essa pessoa era ninguém, senão ela própria.

E, ainda assim, só de vez em quando...



Escrito por Izilda às 11h54
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Tempos antigos

A conversa, naquele dia, tinha um tom grave e solene, até então completamente desconhecido para mim.

Menina de tudo, e sem qualquer conhecimento sobre as transformações da puberdade, ouvia, sem entender direito, um sem fim de conselhos e veladas ameaças sobre um futuro incerto e tenebroso que, a partir dali, me aguardava.

O susto levado com o primeiro sangramento menstrual havia sido enorme.

Inicialmente, pensei que tivesse me machucado. E deveria ser sério. Corri a mostrar aquilo para minha mãe e avó, esperando o colo e o curativo, de sempre.

Mas logo percebi que alguma coisa terrível havia me acontecido.

Nada poderia ser pior. 

Num piscar de olhos e sem qualquer aviso prévio, havia perdido de vez a condição de criança alegre e despreocupada para me transformar, instantaneamente, em mulher, com todo o peso e tormento que a palavra carregava, naquela ocasião.

Foi então que, naquela tarde,  eu, uma criança de onze anos, ouvi que, a qualquer momento, poderia gerar outra criança.

Como? Não me disseram. Mas as perspectivas eram as piores...

As mulheres que eu amava e que cuidavam de mim, mãe e avó, trancadas naquele quarto para que ninguém pudesse nos ouvir, afirmavam e reafirmavam, com grande preocupação, que, a partir de agora, eu deveria me resguardar e, para tanto, mudar o jeito de me vestir, de me sentar, de me comportar em público.

Agora, que me tornara "mocinha", todo cuidado era pouco, pois qualquer passo em falso seria fatal para minha honra. E eu que nem sabia, até aquele momento, que tinha honra...

Apresentaram-me, então, a umas toalhinhas estranhas que eu deveria usar para aparar o sangramento que, segundo elas, de agora em diante, nunca mais cessaria até eu me tornar velha.

Via-me já inundada em sangue, escondendo-me de todos, verdadeiramente incomodada por aquela maldição.

Explicaram-me ainda que, durante o tal "incômodo", eu não poderia tomar gelado, apanhar friagem e jamais - repetiam, jamais lavar a cabeça, sob pena de ficar completamente louca.

E minha avó, depois de desfiar um sem número de "causos" de mocinhas perturbadas e de outras tantas que, por não saberem "se cuidar", ficaram grávidas e desgraçadas, concluiu com esta pérola:

"- A castidade é como um copo do mais fino cristal. Depois que se quebra, nunca mais se conserta."

Aquilo não fazia nenhum sentido para mim, mas foi de grande efeito. Nunca me esqueci dessa imagem e sinto, até hoje, um frio na barriga, ao pensar numa linda taça de cristal, espatifando-se no chão. 

Só faltou uma coisa: a coragem de explicar, para aquela menininha assustada e tão casta, o que era castidade... 



Escrito por Izilda às 17h46
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Viagem

Mais uma vez o barco atravessava águas muito turbulentas.

Havia medo estampado no rosto da maioria dos tripulantes. Desespero até...

Um deles, porém, conseguia se manter sereno e seguro.

Não desconhecia o perigo, mas recordava-se de outros momentos difíces pelos quais havia passado e acreditava na superação de mais aquela tormenta.

Estava certo de que isso era possível. Não se sentia sozinho. O navio era pleno de recursos e comandado por quem o sabia conduzir.

Por isso, naquele momento, apenas confiava...



Escrito por Izilda às 09h04
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Piquenique

Não era um simples piquenique.

Era experimentar uma nova aventura. Era ter a atenção exclusiva da mãe e da avó, naquele dia. Era poder brincar no parque com outras crianças. Era comer ao ar livre, de um jeito diferente. Era ter o que contar para a professora, no primeiro dia de aula...

Seus olhos brilhavam desde o momento em que o passeio fora confirmado.

Com suas mãozinhas pequenas, fez questão de ajudar a preparar o lanche e de carregar a sacolinha com os pratinhos e copos descartáveis.

Ao chegar, desembestou. Corria, saltava, girava, cantava e sorria. Sorria inteira.

Vendo aquela menina transbordar de alegria, também eu comecei a sorrir.

Acabava de aprender com ela o que era a felicidade absoluta...



Escrito por Izilda às 15h43
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Quadro

Parecia um quadro vivo.

O velho sentado no banco da praça, alimentava as pombas. O sol penetrava fortuito pela sombra das árvores floridas. A água, jorrando da pequena fonte, espalhava gotas de transparência brilhante.

Tudo me remetia, fortemente, a uma composição pictórica perfeita. Quase perfeita...

Quase, porque jamais seria possível registrar, em tela, ou mesmo em câmera, a voracidade das aves, o barulhinho contínuo das águas, o perfume das flores, a temperatura agradável da tarde e, principalmente, o sentimento que inspirava aquele homem.

O sinal abriu e tive de continuar meu caminho.

A vida seguia indiferente.

Mas eu não.



Escrito por Izilda às 11h13
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Reencontro...

Há quanto tempo eu não via o sol nascer por trás das montanhas?

Há quanto tempo não sentia o perfume do ar, refrescando minhas narinas?

Há quanto tempo não me lembrava que o céu é tão azul?

Há quanto tempo não topava com vacas e galinhas soltas pelos campos verdes?

Há quanto tempo não ouvia música de passarinhos?

Há quanto tempo não caminhava sem pressa por entre borboletas?

Há quanto tempo eu não me via, nem me sentia?

 

 



Escrito por Izilda às 20h33
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Trajetória...

Os dias seguiam-se velozes  e ela se via totalmente  embolada na roda do tempo.

Era impossível pretender detê-lo.

Resoluto e misterioso, arrastava-a por caminhos sempre novos, sempre desconhecidos...algumas vezes temerários, outras vezes belos e até seguros, mas, ainda assim, sempre por inaugurar, com todo o sofrimento da estréia.

Nenhum segundo era igual ao outro e, mesmo parada, dormindo, ou negando-se a prosseguir, sabia-se em constante movimento.

Demorou muito para entender que era assim e pronto.

Porém, o mero vislumbre dessa compreensão, já foi bastante para lhe amaciar os passos.

E quando, enfim, optou por entregar-se sem reservas à vida, sentiu que ganhava asas de borboleta...

 



Escrito por Izilda às 11h11
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E, quem sabe, quantos outros verões...

O outono agora tentava alcançar o inverno e pedia cautela e recolhimento.

Sentia-se, porém, como quem já não tem para onde ir.

Todos os caminhos haviam desmoronado e não havia mais como voltar.

Fechou os olhos, nauseada por essa certeza paralisante, e rememorou os últimos acontecimentos.

Tudo lhe parecia tão estranho e impessoal, que se sentia personagem de um filme...  

Não havia certos, nem errados; apenas uma nova situação, horrivelmente opressora.

Se não havia para onde ir, também não havia como escapar.

A única coisa a fazer era aguardar a primavera...



Escrito por Izilda às 15h52
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ESPERA

Olhou no relógio, mais uma vez.

Tudo o que podia fazer, naquele momento, era tentar controlar o tempo.

Os minutos se sucediam lentos, no exato ritmo de sua angústia crescente.

Queria estar longe dali. Bem longe... Com ela.

Seu pensamento voou para aquela tarde de domingo em que se conheceram.  

Jamais poderia imaginar então, que, em menos de um ano, estariam casados e tão felizes.

Riu ao se lembrar que caiu da escada, quase em cima dela, quando pintavam juntos o pequeno apartamento alugado.

E a notícia da primeira gravidez?  Medo e alegria se misturaram tão intensamente!

Já era hora de assentar a cabeça. Não eram mais crianças...

Quando o segundo filho nasceu, perdeu o emprego.

Juntos enfrentaram tantas dificuldades!

Ela estava ali, a lhe dar força, prometendo-lhe que tudo daria certo.

Sempre foi assim. Aplaudia seus acertos, perdoava seus deslizes, apertava-o nos braços...

Trinta anos depois, e onde estava ela, agora?

Olhou, mais uma vez no relógio, sem sequer ver que horas eram.

E continuou perdido em pensamentos até que o médico, finalmente, apareceu na porta, trazendo notícias, de vida ou de morte.

O tempo parou, por alguns instantes...

E, depois, parou para sempre.

 

 

 



Escrito por Izilda às 18h52
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Prazo de validade...

 

Embora  não soubesse precisar quanto tempo lhe restava, só agora se dava conta de que estava com os dias contados.

Era preciso cantar, dançar, brincar e abraçar as pessoas queridas.

Era preciso ter coragem de errar para tentar acertar.

Era preciso pedir perdão e perdoar, concluir e recomeçar.

Era preciso amar e ousar...

Agora.

Aos poucos, aprendia a não se importar com ninharias e começava a dar valor a pequenas coisas...

No mais, tudo o queria era ser feliz e esgotar suas imensas possibilidades, antes da derradeira noite.

Afinal, estava com os dias contados.

Assim como todos...

 

 



Escrito por Izilda às 11h43
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TRILOGIA DO QUERER

Questão de sobrevivência

Só quero uma tarde inteirinha de primavera.

E você.

*************************************

        Questão

Só quero uma tarde inteirinha de primavera.

E você?

*************************************

Questionamento

Só quero uma tarde inteirinha de primavera.

E... Você?!!?!

  



Escrito por Izilda às 08h16
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Cronos

Acordou, sem mais nem menos, naquela hora estranha que antecede o dia. 

As sombras ainda deformavam os contornos conhecidos e todo ruído se amplificava ao máximo.

Seu coração desassossegado voltou a ter cinco anos.

Com o lençol sobre a cabeça, encolheu-se toda e tentou, em vão, voltar a dormir.

Porém, quanto mais buscava o sono, mais se sentia longe dele.

Sabia que era muito cedo para se levantar, mas aquela espera paralisante a atormentava.

Queria tanto que amanhecesse logo!

Lembrou-se de respirar profundamente para se acalmar.

Por que toda aquela inquietação?   

Não havia nada a fazer, senão esperar.

Alguns momentos na vida requerem apenas paciência.

Lembrou-se da avó.

-  Há o tempo de semear e o tempo de colher...

Com sua habitual ansiedade, constatou que, ultimamente, só andava semeando.  Colheita, que é bom...nada!

E, revendo sua vida, começou a rir de si mesma, sem se dar conta de que, naquele momento, o dia estava clareando e seu medo já passara...



Escrito por Izilda às 11h06
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ALIEN-AÇÃO...

Mas se era o mundo um lugar tão complicado, como conseguia sentir-se feliz com tão pouco?

Dinheiro não havia de sobra, mas nunca lhe faltara o que comer e onde morar.

Estava sempre com boa disposição e gostava de aprender sobre tudo e sobre todos.

No mais, bastava-lhe uma manhã iluminada de sol, um copo de água fresquinha quando tinha sede, ou até mesmo o vento, desmanchando seus cabelos, para ser inundada de uma alegria genuína, quase pueril.

Achava delicioso o sabor de um simples pingado e um pão com manteiga, na padaria...

E havia coisa melhor do que receber sorrisos e abraços? 

Coisas insignificantes no trabalho, como terminar uma tarefa rotineira, um pequeno elogio, e até um encontro casual no elevador com a colega da sala ao lado, faziam festa em seu peito.

Algumas pessoas se incomodavam com seu bom humor, insistindo em lhe dizer que o mundo era feio, sórdido e cruel.

Será que não lia os jornais, não ouvia os noticiários?

Ela silenciava, com um sentimento quase maroto.

Não ousava contar para ninguém.

Mas preferia ouvir música.

E dançar...



Escrito por Izilda às 11h45
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Gestação

Havia muitas chegadas e abraços em sua vida, mas havia também a temporada de partidas e desabraços.

Nesta, ficava em silêncio, talvez para entender as mudanças que vinham sem avisar e reviravam o rumo das coisas.

Não se revoltava.

Ficava apenas à espreita de cada novo sinal de sol, distraindo-se com os latidos dos cachorros da rua e o alarido das crianças do andar de cima.

No mais, acompanhava as novelas, mantinha a casa em ordem e preparava, invariavelmente, um bolo para o fim-de-semana.  

A chegada da correspondência era sempre um vislumbre de alegria.

Entupia logo as mãos e os olhos com as mais variadas propagandas, misturadas às inevitáveis contas para pagar.

Tanto material inútil! E nunca mais uma carta pessoal...

Em seguida, retomava com calma a toada de todos os dias.

Como numa longa e doce gestação, esperava por novos tempos.

E, enquanto isso, tricotava lembranças...



Escrito por Izilda às 11h18
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Desobrigações

Só ia para onde seu coração realmente quisesse ir e suas pernas deixassem, sem pretender agradar ou depender de ninguém.

Só falava quando e se tivesse vontade, sobre todo e qualquer assunto que lhe desse na "telha".

Não mais media palavras para convencer ou impressionar ninguém.

E se, por acaso, não gostassem de sua opinião, azar de quem não gostou!

Fazia só o queria, cultivava suas manias, comia de tudo, dormia quando tinha vontade, cantarolava músicas cafonas e já não levava desaforos para casa.

Tinha mais de 70 anos e só agora sabia o que era liberdade...



Escrito por Izilda às 16h03
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Confissões de adolescente

"Meu primeiro pensamento é em você.

O último também.

E todos os outros que me ocorrem durante o dia.

Bem que queria tirar você do meu pensamento, mas não consigo.

Primeiro, precisaria tirar você do meu coração..."

************************************************************

Parecia tola aquela singela anotação de menina, encontrada dentro de um velho livro.

Porém, nada tinha de infantil ou de antiga.

O amor nunca havia saído de moda.

E, ao longo de tantas histórias, ainda seguia complicado...

 

 



Escrito por Izilda às 00h22
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Mãos...

Já não tinham o vigor de antes, mas, nem por isso, eram menos belas.

Ao contrário. Cada veia saltada, cada osso aparente, cada mancha senil e até os dedos, já meio deformados, imprimiam-lhe respeito e força - um outro tipo de força.

Havia tantas histórias naquelas mãos!

Eram histórias de luta, de trabalho árduo, de quem sempre enfrentou a vida sem medo.

Também, nem por isso, se tornaram brutas. 

Não.

Eram mãos de fada, capazes de transformar feiúra em beleza, vazio em arte, sofrimento em consolo.

Seriam mãos de santa? Sim, pois que cuidavam, curavam, abençoavam, afagavam...

Tão delicadas eram no carinho!

Sublimes e longilíneas, pareciam mãos de rainha! Ou mãos de amante, a exalar sensualidade, ocultando carícias imaginárias?

Sem dúvida nenhuma, eram mãos amigas, daquelas que acariciam, prendem, soltam, entregam, acolhem, ensinam, julgam, protegem, punem, nutrem, conduzem, ralham, aplaudem, negam, aprovam,  chamam, acenam e doam... doam, doam... doam-se, por inteiro.

Naquelas mãos de minha mãe, eu via entrelaçadas as minhas.

Para sempre.



Escrito por Izilda às 00h59
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Morte anunciada

Nos dias ímpares, tomava, em jejum, chá de boldo. Nos pares, água morna com limão.

Fazia bem ao fígado e desintoxicava o sangue...

Quarenta e cinco minutos depois, e meia hora antes da papa de aveia com alfafa, administrava, sob a língua, uma colherzinha de geléia real.

Não comia carne de espécie alguma, há mais de vinte anos.

E, desde então, alimentava-se apenas de grãos, cereais e vegetais orgânicos, mastigados cem vezes, antes de  engolidos.

Bebia três litros de água magnetizada por dia, sendo um copo a cada meia hora.

E, todas as tardes, comia ao menos três frutas, mas sempre três horas após o almoço, para não atrapalhar a digestão. 

Açúcar? Nem pensar...

Fazia bochechos diários com óleo de gergelim, prensado a frio.

E, de manhã e à noite, alternava compressas quentes e geladas sobre o corpo, para ativar a circulação.

Caminhava, ao menos, duas horas por dia.

Fazia massagens e meditação.

Também não fumava, não bebia, dormia cedo e jamais chegara perto de qualquer droga.

Engasgou-se, inexplicavelmente, hoje, pela manhã, com uma migalha de pão integral.

Mas morreu na mais perfeita saúde...

 

 



Escrito por Izilda às 19h27
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Insônia

Quando não tinha sono, arrumava as gavetas. 

Passava o tempo tirando o pó de lembranças, arejando sentimentos, dobrando, cuidadosamente, os pensamentos.

Para botar tudo em ordem, descartava grilos, cobras e percevejos, jogando fora idéias e emoções que não lhe serviam mais.

E, quando tudo estava razoavelmente em ordem, ajeitava-se entre as cobertas e contava uma história para si mesma.

Era infalível.

Bem antes do dia amanhecer, dormia, enfim.

Em paz...

 



Escrito por Izilda às 10h34
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O vento

O vento da noite varou meus braços

E trouxe o rio de águas claras

E trouxe o olhar e o sorriso.

O vento da noite me trouxe o ar

                                                    e o paraíso.

 

 

O vento da noite varreu meus sonhos

E trouxe o mar e a distância

E trouxe a dor e a tempestade.

O vento da noite trouxe o caminho

                                                      pela metade.

 

 

A voz do vento veio avisar

Que verga e vinca a existência vã

Que, por ser noite, traz o lamento,

Mas, por ser vento, traz a manhã...



Escrito por Izilda às 21h38
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Agradecimentos...

Tão bom constatar que, neste mês de março, meu blog, até o momento, obteve 595 votos no Blogstar!

Melhor ainda, saber que faltam apenas 200 acessos para atingir 20.000 mil visitas.

Isso mesmo. Vinte mil visitas!

A Internet é um meio fabuloso de difusão de qualquer coisa que seja...

Por meio dela, consegui mostrar um pouco do meu tímido trabalho de "escriba".

O melhor de tudo, porém, foi conhecer amigos preciosos, que seguem assíduamente cada texto postado, sempre com uma palavra de incentivo e de carinho.

A esses, meu abraço mais do que especial.

E a todos que, mesmo esporadicamente, estiveram um dia por aqui, visitando meus escritos (tão esparsos!), meu muito obrigada.

Continuem me visitando.

Vou adorar!

 



Escrito por Izilda às 16h33
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Notícias sobre a vida...

No jornal de hoje, apenas um notinha.

Foi encontrado, na Europa, o mais antigo fóssil de um ancestral humano, com, aproximadamente, um milhão e trezentos mil anos.

Um milhão e trezentos mil anos!

E aqui estamos, aprimorando os desígnios da espécie.

Preocupados, na maior parte do tempo, só com bobagens...



Escrito por Izilda às 09h58
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Domingo de Páscoa...

Assim que elas dormiam, eu começava a preparar a casa, numa excitação ainda maior do que a que viriam a ter.

Desenhava, com giz,  patinhas de coelhos pelo chão, em desafiadoras pistas desencontradas, que desembocavam em vários pontos.

Em cada final de linha, eu escondia ovinhos de chocolate, de tamanhos e cores diversas. E deixava ali bilhetinhos de amor.

Na manhã seguinte, minha alegria se fundia à delas, numa agitação sem fim de gritinhos, expectativas, sorrisos e abraços!

Cresceram depressa as danadinhas.

Hoje são mulheres lindas e continuam sendo minha maior fonte de amor e de gratidão à vida.

As lembranças de todos os momento maravilhosos que passamos juntas aumentam, a cada dia, dentro de mim. A cada data especial. A cada Páscoa.

E é, então, que se renova minha esperança de vê-las, em breve, brincando outra vez de encontrar ovos de chocolate.

Com os netinhos que me darão...



Escrito por Izilda às 09h45
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Mora na Filosofia...

Encontrei-a, por acaso, numa esquina da vida.

Estava muito abatida e bem mais magra.

Contou-me que continuava pensando nele e que passava os dias sondando, invisível, seus caminhos.

Nada tinham em comum, a não ser a vontade de se atirar, um nos braços do outro.

Quando, porém, aprofundavam as afinidades, não sobrava nada.

Ela sabia que ele não era para ela.

Ele tinha certeza de que ela era demasiadamente exigente e estruturada para o seu projeto eventual.

Ambos, porém, se queriam e, por saberem-se tão impróprios, machucavam-se a todo momento.

Ouvi, mais uma vez, aquela história já tão conhecida e não fui capaz de dizer nada.

Depois, segui cabisbaixa, cantarolando mentalmente a velha canção:

 - Pra que rimar amor e dor?



Escrito por Izilda às 10h58
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Pedaços de manhãs.

Era apenas o que tinha a lhe oferecer. Pedaços...

Nada inteiro ou que pudesse adentrar pelos mistérios que lhe adivinhava nos olhos.

Estranhos olhos aqueles!

Com tantos brilhos e cores, só dispunham de vislumbres de um paraíso que estava bem ali, à sua disposição.

Ainda havia um longo caminho a percorrer.

Por enquanto, ele só podia lhe oferecer pedaços sorrateiros de manhãs.

Ela agradeceu, contrariada.

Queria apenas o que sabia merecer: uma vida sem restrições.

Dias fartos de bem querer e noites plenas de amor...



Escrito por Izilda às 15h40
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Em São Paulo

Os sapatos apertavam-lhe os pés, quando caminhava pelas ruas do Centro.

Ali,  o burburinho de sempre: pessoas apressadas, pregões com pechinchas de última hora, homens-cartazes, batedores de carteira, pedintes e paraplégicos.

O calor sufocante anunciava a estréia de uma chuva que, há dias, hesitava em entrar em cena.

Sentiu pena da estátua viva de Napoleão. Toda pintada de branco, casaco pesado, chapelão e mão na barriga.

O que as pessoas não faziam para ganhar a vida..!

Num certo momento, percebeu, com ternura, que, na calçada, uma jovem indígena, em farrapos, amamentava seu bebê recém-nascido.

Aquele enlevo durou pouco.

O insensível dono da loja de discos, temendo perder clientes, enxotou, resoluto, mãe e filho da frente de seu estabelecimento.

Bem que tentou intervir, mas a indiazinha fugiu assustada com seu filhote de homem.

A história se repetia.

Eram séculos de opressão e passividade.

Enquanto isso, o executivo atendia o celular, o bilheteiro anunciava o grande prêmio, o mendigo implorava uma moeda e a estátua viva insistia naquela suada imobilidade.

Covarde ou impotente, a moça continuou seu caminho.

Seus pés, porém, já não doiam.

Doía-lhe a alma...

 

 



Escrito por Izilda às 20h32
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Bom dia, mulher...

Deu bom-dia ao espelho.

Ali estava ela, fiel amiga, no diálogo mudo de todas as horas.

Até  que não estava mal: ainda de pé, ainda sorrindo, ainda sonhando...

Conferiu-lhe os traços, os sulcos, os dentes e, zombeteira, agitou os braços.

Foi plenamente correspondida.

Nos últimos tempos, depois que os filhos cresceram, passaram a se conhecer cada vez melhor.

Acolhiam-se, faziam planos, trocavam confidências e receitas, divertiam-se, fazendo comentários irônicos ou engraçados acerca de tudo... e de todos!

Cumplicidade total. 

Esse era, no momento, seu grande amor.

Essa, a mulher que, ao longo dos anos, aprendera a respeitar.

Olhou-a longamente, num misto de admiração e ternura.

Depois, ajeitou-lhe os cabelos e, sentindo-se melhor do que nunca, convidou-a para o café da manhã... 



Escrito por Izilda às 06h58
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Vendavais...

Sonhou com um vendaval terrível, desses que assobiam forte, levantam o asfalto, arrastam árvores e derrubam prédios.

Já pressentira seu início, quando, da janela da cozinha, vira um grande sol vermelho transformando-se rapidamente em bola de fogo que girava, girava... Girava para desafiar uma imensa lua cheia, muito segura de si, que encarava o astro-rei, em pleno dia.

O sol parecia furioso com a ousadia da lua intempestiva e, numa imensa dança cósmica, convocou todas as forças dos ventos e das águas subterrâneas, que, com prazerosa cumplicidade, iniciaram o cataclismo.

Ela olhava tudo pela vidraça, tentando entender o que se passava; qual o  porquê de tamanha demonstração masculina de força.

E enquanto fogo, terra, água e ar embolavam-se com violência diante dela, pensou, por um momento em seus amores - pais, filhos, amigos.

Resolveu tentar um contato telefônico.

Nada.

Em busca de notícias, ligou a tevê e o rádio, mas se percebeu completamente incomunicável.

Uma estranha calma, entretanto, tomava conta dela, fazendo-a sentir-se a salvo de qualquer catástrofe.  

Deitou-se, então, confortavelmente, em sua cama de lençóis macios, esperando o momento em que tudo aquilo iria acabar.

Sabia que não demoraria muito a passar.

E assim, dentro de seu próprio sonho, adormeceu completamente, na segurança de ver-se em casa.

Na sua casa.

 



Escrito por Izilda às 10h33
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Cinderela

O homem que amava ainda não batera à sua porta, mas ela o sabia a caminho.

Passava seus dias esperando por ele, num doce compasso em que o sonho e a realidade se fundem em única imagem.

Deixava o leite derramar, tropeçava em suas mil saias, ensaiava no espelho seu melhor sorriso.

Queria que ele a encontrasse bonita.

Queria que ele a encontrasse mulher.

Queria que ele a encontrasse bem assim como era, e, entre flores e estrelas, fizesse dela rainha - Cinderela coroada, com direito a sapatinhos de cristal, lindas valsas, alvos lençóis e muitos beijos de amor.

O homem que amava vinha chegando de mansinho.

Ela o sabia.

Ouvia-lhe os passos na solidão de suas noites, nas confidências à lua, no murmúrio do mar...

Sabia, pelos arrulhos dos passarinhos, que ele não tardaria.

Por isso, enfeitava-se de sedas e rendas, perfumava os travesseiros e retocava o batom.

Depois, punha-se no portão, toda sorrisos, só pensando naqueles olhos profundos, que lhe diriam o quanto valera a pena esperar...

 



Escrito por Izilda às 09h44
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